Hemograma: Serie Vermelha
O hemograma é o nome que define o exame realizado para avaliar as células sanguíneas, permitindo a elucidação de varias patologias, quer sejam hematológicas ou que gerem alterações nesse tecido. Sua introdução à práxis clinica ocorreu em 1925 por meios estabelecidos pelo medico e farmacêutico alemão Viktor Schilling. Atualmente dos exames laboratoriais, o mais solicitado é o hemograma, daí advém a grande importância do conhecimento dos resultados, bem como sua correta interpretação.
O Hemograma pode ser didaticamente dividi em três partes, a saber: série vermelha, série branca e estudo da crase sanguínea. Neste primeiro artigo haverá definição e interpretação da série vermelha. Posteriormente seguirá as interpretações da série branca e estudo da coagulação.
As fases que compõem as interpretações do hemograma são a pré-analítica, que diz respeito à coleta, armazenamento, transporte da amostra. A fase de análise da amostra e por fim a interpretação dos dados obtidos. Qualquer interferência em uma ou mais fases desse processo poderá ocasionar erros de diagnóstico do paciente.
A coleta e processamento apropriados da amostra de sangue são fundamentais para um correto exame. O sangue dever ser coletado em tubos adequados para este fim, com o anticoagulante específico para cada exame. Deve ser analisado o quanto antes, se não poderá ser armazenado à temperatura de 4ºC durante 24 horas.
A amostra pode ser analisada utilizando-se métodos manuais ou automáticos. De forma genérica podemos dizer que os métodos automáticos, além de serem mais rápidos e seguros, fornecem resultados mais confiáveis.
Na série vermelha obtemos o estuda dos glóbulos vermelhos, sua contagem, morfologia e atipias que eventualmente possam estar presentes. Nessa avaliação temos as seguintes contagens: contagem de eritrócitos, dosagem de hemoglobina, hematócrito, volume corpuscular médio, hemoglobina corpuscular média, concentração de hemoglobina corpuscular média.
No tocante a morfologia há a análise do esfregaço sanguíneo. Nessa avaliação são observados: tamanho, forma, coloração celular e inclusões.
Ao analisarmos a morfologia dos eritrócitos podemos ter os seguintes achados: micro/macro e megalócitos; poiquilócitos; hipo/hiper e policromasia; pontilhados; Howell-Jolly; plasmócitos.
A análise desse conjunto de informações formam os subsídios para o diagnóstico das principais anemias, bem como identificação das causas associadas. Defini-se como anemia quando o eritrograma apresenta concentração de hemoglobina menor que o padrão estabelecido para idade, sendo que este padrão vai variar de acordo com a técnica de análise.
A associação de valores da Hb (hemoglobina) diminuídas, achados morfológicos e índices do eritrograma dará subsídios para correta interpretação da anemia e a elucidação da sua causa.
Correlacionando-se a Hb baixa com os índices teremos:
- I) VCM e HCM diminuídos – anemia microcítica e hipocrômica.
- II) VCM e HCM normais – anemia normocítica e normocrômica.
III) VCM elevado – anemia macrocítica.
Outro índice a ser observado é a Concentração da Hemoglobina corpuscular média (CHCM) , que nem sempre está alterado, porém, quando diminuído pode estar associada a graves anemias. Por outro lado sua elevação está associada ao aumento do número de esferócitos, que estão presentes nas anemias hemolíticas.
Ainda temos os reticulócitos que são células imaturas da linhagem vermelha. Estas células estão associadas a condições da medula que podem ser hipoproliferativas (anemias carências) ou hiperproliferativas (anemias hemorrágicas ou hemolíticas).
Na contramão das eritrocitopenias temos a policitemia, que é o aumento do número de hemácias. É um distúrbio mieloproliferativo, que pode ter causas fisiológicas, como pessoas que residem em grandes altitudes, ou revelar alterações patológicas da linhagem da célula progenitora hematopoiética. Judeus ashkenazim possuem essa doença comumente devido ao efeito de mutação fundadora. Pode indicar também outras patologias como, por exemplo, DPOC, rim policístico e tumores.
Conclusão
Os índices hematimétricos bem como a morfologia dos glóbulos vermelhos são capazes de auxiliar no diagnóstico das principais alterações da série vermelha. Sua coleta correta e criteriosa análise são ferramentas importantes para elucidação das patologias decorrentes das alterações desta série.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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